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17 e 18 de Outubro - Haverá greve?

Sábado, 07.10.06

Mais de 20 mil professores desceram na passada quinta-feira a Avenida da Liberdade, em Lisboa, numa marcha de protesto contra a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD) que terminou no Rossio.

Segundo os sindicatos que promoveram este protesto - o maior desde o 25 de Abril - o número de professores que participaram nesta marcha, chegou aos 25 mil.

«Está certamente a aproximar-se dos 25 mil. A meta dos 15 mil, que poucos acreditavam que iríamos alcançar, foi largamente ultrapassada. Num dia como o de hoje, feriado, a ministra tem de tirar conclusões e ilações e não pode ser cega ao descontentamento dos professores», afirmou à Lusa Mário Nogueira, dirigente da Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

«Se a ministra não entender este sinal, deve dar o lugar a outro», acrescentou.

Este é o quarto grande protesto que a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, enfrenta.

«Se o Ministério mantiver uma postura de intransigência e inflexibilidade, as 14 organizações não vão abrandar a sua luta para impedir que o Governo imponha aos professores unilateralmente o seu próprio estatuto», disse à Lusa Paulo Sucena, secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof).

Ao longo da Avenida da Liberdade, onde os manifestantes se encontraram, podiam ler-se cartazes com frases como «professores em luta» e ouvir-se palavras de ordem como «categoria há só uma, professor e mais nenhuma» e «direitos são para manter, não são para abater».

A divisão da carreira em duas categorias, com quotas estabelecidas para subir de escalão e aceder à segunda e mais elevada, é uma das principais propostas do Ministério da Educação relativamente à qual os sindicatos exigem um recuo.

O exame de ingresso ou a avaliação de desempenho dependente de critérios como a apreciação dos pais e a taxa de insucesso e abandono escolar dos alunos são outras das questões que têm provocado divergências entre as organizações sindicais e a tutela.

A marcha seguiu até ao Rossio, onde se realizou um plenário com intervenções dos representantes das quatro mesas negociais que estão envolvidas no processo de revisão do ECD.

Os professores decidiram então marcar uma greve, para os dias 17 e 18 de Outubro, cujo pré- aviso será entregue sexta-feira, caso «o Ministério da Educação não dê provas inequívocas de estar disposto a abrir um processo negocial em que as posições sindicais sejam democraticamente tidas em conta».

«Ou o secretário de Estado [Jorge Pedreira] admite um verdadeiro e real processo de negociação, em que são tidas em conta as propostas dos sindicatos, ou realizamos uma greve a 17 e 18 de Outubro», anunciou Paulo Sucena, porta-voz da plataforma que integra 14 organizações sindicais. in Agência Lusa

 

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